O editor está isolado. Está distante do processo. Não viveu o calor do momento da filmagem. Tem a frieza (leia-se ar condicionado) necessária para cortar as imagens que não servem. Sem pena. Assistiu infinitas vezes horas e horas de takes e re-takes. Conhece todo o material. Montou e desmontou seqüências. Fez vários finais. Memorizou a narração, as falas. Está exausto. Vai lembrar de partes daquele trabalho pelo resto da vida. Aí você assite “O sangue das bestas” e pensa: como alguém foi capaz de editar esse filme? Eu acho que não conseguiria. Mas é como se um médico deixasse de operar por falta de coragem. E às vezes um documentário é mais ficção do que a própria ficção. A realidade vem filtrada, sem cheiro. E trabalho é trabalho. Se existe um bom motivo, por que não fazê-lo? A covardia é que nunca vai ser uma boa desculpa.
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