Em Cuba como os cubanos

O começo do fim, ou o fim do princípio. Meus hormônios pensam por mim.

Setembro 11, 2009 · 2 Comentários

1 é pouco, dois é bom, três é demais… la cuarta es demasiado. Esta foi a quarta vez que fiz a surreal viagem Natal-São Paulo-Panamá-Havana, em direção à surreal escuela de todos los mundos, a nave espacial encalhada nas brenhas da ilha revolucionária de Cubanacán, onde tudo tem gosto de baconzitos.
Acabo de começar o terceiro ano do resto da minha vida. Ainda tenho as melhores expectativas, pois meu espírito “polyanna” não me deixa esmorecer diante de todos os sentimentos contraditórios que este lugar desperta. É muito difícil manter a concentração em um ambiente que parece feito para férias eternas. Continuo reclamando de besta. Tuc, tuc, tuc, tuc, tuc, hoy es jueves, diez de septiembre de 2009, rádio reloj, transmitiendo desde la habana, Cuba, con opciones recreativas para los proximos días. 4 y dos minutos.
……..
Estou passando oficialmente pelo meu inferno astral, mesmo assim vou tentar me animar incansavelmente, a começar por mudar de estação de rádio. Tenho aulas de telenovela toda noite e isso me deixa um pouco triste quando lembro que vai começar Viver a Vida e aqui me falam de Betty la fea. Adoro ser melodramática. Meu vizinho espanhol escutando coisas ciganas de allá me deixa um pouco melhor. E não é Gipsy kings. Decidi manter minha dieta chocolacto-vegetariana com exceção para as caldosas dos amigos… peraí que faltou energia….

Voltei. E isso aqui não é a Caverna do Dragão. Portas e janelas vão se abrir para algum parque de diversões depois. Para começar outros três atos, início meio e fim. Por enquanto o tempo passa lentamente em espanhol, trocando os vês pelos bês, como na rádio e nos corredores. Continuo reclamando de barriga cheia. Preguiça de ter que ter paciência. Estou começando o fim e o fim demora demais a acabar.

Deve ser porque na verdade nada se acaba, tudo é cíclico, e talvez o mais difícil não seja começar nem terminar e sim continuar. O “talvez” quer dizer que não acredito piamente nisso.

*** Vou tocar meu triângulo um pouco. Trouxe um dessa vez, daqueles de Cavaco chinês para ajudar a relaxar. Quem pensou besteira, muito bem, a intenção foi essa. JeJeJe Teoricamente tocar bem é uma questão de ritmo com as mãos; difícil vai ser ensinar aqui o que é cavaco chinês. Traduzindo literalmente Cavaco Chinês vai virar cabaco chino (tchino), ou seja se já não tinha sentido, agora é que não vai ter mesmo.

Mais uma sobre os vês x bês

Uma das coisas mais loucas do espanhol caribenho é ignorar a pronúncia dos vês. Ignorar não, achar que é igual ao som do bê. É uma coisa tão doida que até quando escrevem eles já estão se confundindo e metendo bê em tudo. Os vês andam em bias (vias) de extinção por aqui.
Pensando nisso alguns dos meus companheiros brasileiros que já se graduaram inventaram um curso de português para hispano-hablantes que na verdade nunca existiu, era apenas para fazer a seguinte piada: o nome do curso era “Você tá boa.” Tão somente porque os estudantes iriam ler Boce ta boa….

E tudo se encaminha para um fim de semana de apenas dois dias

E tudo se encaminha para um fim de semana de apenas dois dias

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