Deixo Cuba com as seguintes questões, com as seguintes questões deixo Cuba:

Seria a malandragem um tipo de revolução?
Seria a ilha a antítese do mar?
Seriam os males menores que os benefícios?
Seriam os benefícios maiores que os males?
Seria o certo igual ao errado?
Ou o errado é certo, ainda que injusto?
Seria preciso entender, ou preciso perguntar?
E em que acreditar?

Adios caribe…. como dice la cancion… te odio y sin embargo te quiero.

ecos do primeiro de mayo

O primeiro de mayo em Cuba eh como o desfile do Galo da Madrugada. Aqueles milhoes de pessoas na rua, animadas, gritando, fazendo festa. E depois as fotos do formigueiro humano na primeira capa dos jornais… Na verdade acho que a semelhanca mesmo eh soh a da capa dos jornais. A empolgacao do povo nao eh nem de longe a mesma.

Das poucas vezes que fui ao carnaval de Recife, nunca me atrevi a sair no meio da multidao do Galo. E aqui em Cuba nao me atrevi a entrar na multidao do primeiro de Mayo. Nao acho que perdi muita coisa. No dia 2, curiosamente, fui a praia no melhor estilo turista, ou yuma, como dizem por aqui. O esquema era pegar um onibus para estrangeiro perto do Capitolio e pagar 3 CUC para ir e voltar de Santa Maria, a tal praia. Na fila do onibus um velhinho queria me vender bolsas feitas de plastico e jornais. Ele achava que eu tinha os bolsos cheios de euros. Engracado que para ser simpatico ele dizia “Te regalo esto” me dava um jornal e dizia “que tu me vas a regalar?” Lembrei que tinha uma moeda no bolso, mostrei para ele e disse “Te sirve?” E ele com uma cara de ofendido “No chica, no, necesito algo para comer…Que tu me puedes regalar?”

O problema eh que a moeda era de 1 peso cubano, a chamada moneda nacional, que vale 24 vezes menos que o CUC, o peso convertible, moeda de estrangeiro, que eh o que compra as coisas que os cubanos querem comprar… Eu nao posso sair por aih distribuindo CUCs, mas, como a maioria dos cubanos (nao por culpa deles) acha que qualquer estrangeiro eh mina de ouro, o velhinho continuava insistindo comigo, e me dando coisas. E eu devolvendo. Quando quis devolver o jornal com a foto do primeiro de mayo estampada na capa, ele nao quis aceitar e repetiu a conversa de que era um presente para mim. Eu comecei entao a folhear e quando ia ler sobre tudo que tinha perdido da marcha, ja que me recusei a participar da festa historica dos trabalhadores, o velhinho mudou de ideia e, simpatico como sempre, tirou o jornal da minha mao e disse que ia tentar vender em outro lado.

Essa semana fiquei sabendo que a partir desse primeiro de mayo o governo cubano decretou que qualquer estrangeiro que entre em Cuba vai ter que pagar, no aeroporto, 2 CUC por dia que for permanecer na ilha, para seguro saúde. Achei meio triste. A ilha esta falindo e sobra para o estrangeiro. Meus colegas fizeram as contas e viram que vao ter que pagar uns 500 cucs quando voltarem das ferias de agosto. O valor do CUC eh mais ou menos igual ao do euro. Pensei nos estudantes de medicina, que tem mais dificuldades que nos. Uma solucao para nao pagar essa taxa diaria eh nao sair da ilha nas ferias, nao viajar. Mas quem eh que aguenta? Nosotros no, los cubanos tampoco…

sobre os acentos o meu teclado aqui diz “tem mas ta faltando” ÑO!

uma atualizadinha por email.

Ontem uma amiga comentou, olha a minha barriga, esta muito grande, o que sera? E eu nao resisti em responder, ah pode ser tanta coisa, pode ser tpm, sei la, podem ser gases, liquidos, gemeos…

e rimos.

teste 1 2 3

Teste, atualizacao por email 1 2 3
PERFECTION IS NOT AN AIM!!!

A coincidência – ou eu me atrevo…

Quase meia noite
estou na ilha 8 terminando um “pre corte” de uma “pre idéia”
de um “pre documentário” de tese. Um teste que pode definir como será
o documentário de conclusão de curso que vou ter que editar em maio.
Mando exportar um vídeo de 3min e 40 segundos, em alta definição.
O computador me mostra uma barra de porcentagem com a frase
“estimated time: 50 minutes”.
Penso
melhor que “forever” como apareceu outra vez.
Para passar o tempo, abro “A descoberta do Mundo” em qualquer página e leio:
“SENTIR-SE ÚTIL
Exatamente quando eu atravessava uma fase de involuntária meditação sobre a inutilidade de minha pessoa…” e blá blá blá.

Estou atravessando essa mesma fase. E ao mesmo tempo me sinto útil.

Penso
Leio Clarice Lispector como se fosse auto-ajuda.
Como se fosse porque acho que livro de auto ajuda não ajuda mesmo em nada,
mas “a descoberta do mundo” até que anda fazendo efeito.

Ainda as filas. – o dia em que uma coisa totalmente sem graça me fez chorar de rir…

Há alguns meses passei por mais um “causo” da cubania e esqueci de fazer o relatório. Mesmo com tanto atraso, acho que vale a pena, então vamos aos apuntes: fui à Havana não por saudade daquele lugar e tampouco porque tinha alguma coisa muito interessante e imperdível para fazer. Apenas precisava sair do meu retiro latino-cinematográfico-rural. Precisava ver mais gente e menos verde. Enfim. O plano era tão simples quanto dar a volta no quarteirão. Queria ir a uma padariazinha perto do cine La Rampa, que é perto do Hotel Nacional, que é perto do Malecón, que é perto de Copélia, que é perto de onde pára o ônibus da escola, ou seja, tudo parecia fácil demais.

A padaria é totalmente yumática. Pausa. “Yuma” é a palavra para definir tudo que é estrangeiro, de estrangeiro ou para estrangeiro, então “yumática” é para dizer que a padaria parece um lugar fora de Cuba, mesmo estando dentro. E é freqüentada por cubanos yumáticos e yumas yumáticos, como eu.
O lugar é pequeno e simples, parece uma dessas lanchonetezinhas de beira de hospital, com pães, salgados e doces expostos no balcão, café, refrigerantes, suco, mini-pizza, mesinhas confortáveis para passar o tempo comendo besteiras. Tudo que eu queria.
Estranhamente nesse dia não tinha muita gente. E o motivo era que ao meio da tarde os funcionários resolveram trocar de turno: abriram a caixa registradora, começaram a fazer contas, conferir números e os clientes, paciência.
Resolvi esperar já que tinha muito tempo de sobra e poucos CUCS no bolso. Vi todos os doces, todos os salgados, bebidas, biscoitos, decidi o que ia pedir, sentei.
Espera.
De vez em quando dava uma olhada para o caixa, para ver se o turno estava trocado.
Leeeeeeeeeenta.
Pensei comigo mesma: pelo menos vou ser a primeira da fila quando a mulher recomeçar o atendimento.
Espera.
De repente, não sei se pisquei, não sei se me distraí, se entrei num lapso de tempo… Quando dei por mim havia uma fila formada do caixa até a porta da padaria. O lugar cheio, eu na mesa como uma derrotada, pensando: mal terminaram de trocar o tal do turno e automaticamente se formou a droga da fila. Pior que jump cut. Parecia que estavam todos escondidos esperando uma senha, um sinal, parecia que a fila já estava formada, virtualmente. Fui para o final.
Espera.
Espera.
Espera.
Quando se aproxima a minha vez a senhora que está à minha frente decide ir embora. Antes, porém, faz questão de me dizer, Mira, yo me voy a…. não lembro o que ela disse aqui e continuou pero estoy detrás de esa muchacha. E apontou a mulher que estava na frente dela. Ela queria que eu marcasse o lugar. E eu disse si si. Para ganhar uma posição. Se há uma fila, o cubano está nela, mesmo não estando fisicamente. Tem sempre alguém marcando o lugar do outro. E na hora que você acha que vai ser a sua vez, aparecem umas trezentas e setenta e oito pessoas que estavam antes de você. Todos perguntando e querendo saber “e você está atrás de quem”, “e quem está antes”, “e quem é o último”, “é aquele senhor de camisa vermelha”, “eu não sei, só sei que eu estou atrás dele”, “é aquela mulher com o menino, ela estava aqui e volta já.”
Chegou a minha vez, fiz o pedido, paguei, recebi, comi, ainda fiquei um tempão na mesinha conversando com meus amigos. E nada da mulher voltar. Será que essa era doida? Será que deixou seu lugar marcado comigo só por precaução ou por força do hábito? Será que saiu, encontrou outra fila que lhe interessou mais, entrou e ficou por lá, guardando o lugar de outros 500? Sei lá, eu só sei que eu ri até chorar pensando no seu lugar ridículo que eu acabei ganhando e perdendo. E no ridículo que é essa obsessão por saber a ordem das pessoas nas filas.
Naquela hora teve graça. E valeu a pena esperar pelo lanche.

No brazilian can be only brazilian……Es tiempo de aprender lo que ya se sabe y lo que todavia no se sabe.

Tento me comunicar com um professor que veio de Londres. No início me confundi muito porque meu pensamento brasileiro tinha que falar em espanhol com os colegas de turma e em “BBC english” com o professor. Há algumas semanas traduzi mentalmente do portunhol para o spanglish. E falei.
Alguns dias depois falei sem pensar, direto em inglês.
Agora tudo soa tão português.